I
Um Presente Singular de Deus
“Alençon”, dois de Janeiro,
Do século dezenove,
Do ano de setenta e três,
Nasce em França quem me move
A recolher da memória
Uma vida e linda história.
Os pais pediram menino,
Mas Deus lhes mandou mais uma,
Pois meninas já as tinham,
Mas como aquela nenhuma,
Nem Leônia, nem Celina,
Nem Maria ou Paulina.
Batizada com dois dias,
Esta linda menininha
Dão-lhe o nome de Teresa,
Mas se chama Teresinha
Por ser a mais pequenina
A ter a vida divina.
Segundo o doutor “Beloc”,
Havia risco de vida
Por faltar leite materno.
Por Deus foi logo escolhida
Mãe de leite, carinhosa,
A vizinha, dona Rosa.
A menina cresceu forte,
E de perna tão durinha,
Que ainda um ano não tinha
E já andava sozinha!
Pra todos em “Semallê”
Um prodígio de bebê.
Seu pai comprou um balanço
E montou-o no jardim.
Teresinha, quando o viu:
- Aquilo ali é pra mim?
Vou balançar sem parar,
Dia inteiro, até cansar.
Inteligente ao extremo,
Encantadora e formosa,
Mas, para as suas irmãs,
Muito firme e mui teimosa ...
E mesmo às de mais idade
Impunha a sua vontade.
Paulina não lhe dá trégua,
Quer saber tudo o que faz:
- Teresinha, onde andas? ...
Que fazes aí atrás?
- Estou brincando de freira ....
Quero ser sempre a primeira.
No sonho de Teresinha
Paulina põe água fria:
- Não sabes que no Convento
É silêncio noite e dia?
Nem penses que vais pra lá
Fazer o que fazes cá.
Teresinha pensou muito,
Antes de lhe responder:
- Eu sei que não vou mandar ...
Mais prefiro obedecer,
Mas, se lá ninguém diz nada,
Como vou rezar calada?

Nenhum comentário:
Postar um comentário