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quarta-feira, 30 de abril de 2014

V TERESINHA NÃO DESISTE DE ENTRAR NO CONVENTO


 
PENSANDO NO CARMELO
 
 
 
V

Sonhando com o Carmelo


 

Ano de mil e oitocentos
E oitenta e dois. O Verão
Abrasava corpo e alma
Duma filha dos “Martin”!
Pra seu pai um sofrimento:
- Paulina vai pro Convento!
 
Celina, sua irmã, pára!
Não queria nem pensar
Na reação de Teresinha ...
- Com quem iria ficar?
Perdera a mãe em menina
E agora perde Paulina!
 
A notícia não tardou
A correr o povoado ...
Mas Teresinha adorou:
- Também estou a seu lado.
Por Jesus, por Ele só?
Ninguém tem que sentir dó.
 
Não houve quem segurasse
Em Teresinha este impulso
De também ir pro Carmelo ...
Sempre usou um só recurso:
- Faço o que Jesus quiser ...
E eu sei bem o que Ele quer.
 
Porém, a Madre Geral
Não usou meias medidas:
- Esta casa aqui tem lei...
Só entram moças crescidas;
Com quinze anos, nem sonhar...
Aos dezesseis ... vou pensar.
 
Teresa não se abalou:
- É também Jesus que quer;
Mais hoje, mais amanhã,
Dá jeito nessa mulher...
Só do Carmelo abro mão
Pela minha salvação!
 
Paulina entra pro Carmelo ...
Teresa ficou contente.
Sofre, mas não fica triste,
Por sua “mãezinha” ausente ...
E reza, a cada momento:
- Ou pro Céu, ou pro Convento!
 
Entretanto, meditava,
Tentando compreender,
Por que sendo tão pequena
Tinha tanto que sofrer!
Confia ... mas bem o sente:
-Alma sã ... corpo doente!
 
Assim, parece acabar
O sonho duma menina
Estendida numa cama
Sem o afago da Paulina.
Doutor Notta e o enfermeiro
Pedem reza o dia inteiro:
 
- Teresinha está doente,
Duma doença mortal.
Só um milagre de Deus
Pode curá-la do mal...
Eis que o milagre acontece...
E a Mãe do Céu lhe aparece!
 
- É ela, Nossa Senhora
Está sorrindo pra mim:
- Já te podes levantar ..
E vai brincar no jardim ....
Pro Convento irás também....
 
Tem calma, que o dia vem!
 
fim
 
 
Nb: O livro, completo, está à venda na Igreja de Santa Teresinha, em Botafogo, RJ
Pedidos por email: asv40522@gmail.com

sexta-feira, 25 de abril de 2014

IV NA ESCOLA PRIMÁRIA

IV

Na Escola Primária


 
 
Outubro, mil oitocentos
E oitenta e um, Teresinha
Entrava na Escola Pública.
Não ficou lá sozinha,
Pois, pra cuidar da menina,
Tinha sua irmã Celina.
 
Era ainda tão pequena...
Tinha gente lamentando:
- Nem nove anos completou
E já está estudando!
Pois até que teve sorte ...
Fez-lhe bem, ficou mais forte!
 
   Como hoje em dia os meninos, 
  Mal nascem, vão pra escola,
Nem crescer crescem direito
Com o peso da sacola,
Mas valeu pela alegria
De ganhar mais uma tia! 
 
Mais que tia, a professora
Foi outra mãe pra Teresa:
Educadora perfeita, 
No carinho e na firmeza ....
Toda a aula assistida
Era uma lição de vida.
 
Que dizer das coleguinhas,
Vindas de todas as partes,
Cada uma com seus hábitos
E também com suas artes?
Teresinha até brincou:
- O Convento já chegou?!
 
Aprendeu o que é "deveres"
E também o que é "direitos".
Os muitos caminhos largos...
Pra seguir os mais estreitos.
Por cada "direito" seu,
 
Um "dever" nela nasceu.
  
Assim Teresa entendia
A importância do recreio
Pra moldar comportamentos,
Respeitar direito alheio,
E domar cada vontade:
- A vida em Comunidade!
 
Mas, o que mais adorava:
Ir à Capela rezar.
De manhã, nos intervalos,
De tarde e à noite, ao deitar,
Não perdia um só momento
Dali ir buscar alento.
 

 

 

sábado, 19 de abril de 2014

III EM LISIEUX

III

Mudança para Lisieux

 

O Senhor Luiz mudou-se,

A convite do cunhado,

Pra “Lisieux”, co'a família,

Pra esquecer o passado ....

Foi uma ideia divina

De Isidoro e de Celina.

 

Na casa dos “Buissonnets

Iniciaram nova vida:

Maria é dona da casa

E a tarefa é dividida.

Cada qual faz uma parte

Com amor, engenho... e arte.

 

A casa, grande e bonita,

Tinha jardim e pomar ....

E, até, um lago com peixes

Onde podiam pescar.

Tinha tudo, até rosélias,

Mas faltava ... dona Zélia.

 

 
Teresinha, tão falante,

Anda agora mui calada.

Não esquece sua mãezinha ....

Chora por tudo e por nada.

Em troca de seus amores

Quer pro Céu mandar-lhe flores.

 

Paulina, sempre solícita,

Mantém-na agora ocupada

Com os deveres de escola

Pra não pensar mais em nada,

E voltar ao que era antes

Sem usar tranquilizantes.

 

Trouville” mil e oitocentos

Setenta e oito ... Verão.

Enfim, as férias sonhadas!

Praia, mar... fascinação!

Teresinha, extasiada,

Já não mais ficou calada:

 

- Se nas noites de luar

O céu pra mim já é lindo,

Muito mais o vejo agora

No espelho do mar infindo!

Jamais irei olvidar

Aquela visão do mar!

 

 
Assim fora Teresinha

Combatendo a depressão,

Pois, se bom foi o passado,

Melhores dias virão:

- Quem fez o Céu ,fez o mar...

Mais tem Ele pra me dar!

 

 

II MORTE DE SUA MÃE


II

Morte da Mãe

 


Envolto com capa preta,
Bateu o ciúme à porta
Da família dos “Martin” ...
Só a fé os reconforta!
Trava-se batalha forte ...
Era a vida contra a morte!
 
Dona Zélia adoeceu,
Não houve quem lhe valesse;
O sofrimento era tanto
Que a Deus pediu que morresse ...
Mas pra filhinha Teresa
Pediu vida e fortaleza.
 
Abraçada ao corpo inerte
De tão querida mãezinha,
Promete ir vê-la no Céu
E ser bem comportadinha ...
Logo toda a vizinhança
Quis adotar a criança.
 
 
- Que será de Teresinha,
Agora só com seu pai?
Precisa de quem a adote
Se não, em breve, se vai;
Era a voz de todo o povo
Temendo luto de novo.
 
Teresinha apercebeu-se
Ser também preocupação
Da gente do povoado ...
E fez logo a eleição,
Movida por voz divina:
- Eu quero, pra mãe, Paulina.
 
 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

I UM PRESENTE DE DEUS



I

Um Presente Singular de Deus

 

Alençon”, dois de Janeiro,

Do século dezenove,

Do ano de setenta e três,

Nasce em França quem me move

A recolher da memória

Uma vida e linda história.

 

Os pais pediram menino,

Mas Deus lhes mandou mais uma,

Pois meninas já as tinham,

Mas como aquela nenhuma,

Nem Leônia, nem Celina,

Nem Maria ou Paulina.

 

Batizada com dois dias,

Esta linda menininha

Dão-lhe o nome de Teresa,

Mas se chama Teresinha

Por ser a mais pequenina

A ter a vida divina.

 

Segundo o doutor “Beloc”,

Havia risco de vida

Por faltar leite materno.

Por Deus foi logo escolhida

Mãe de leite, carinhosa,

A vizinha, dona Rosa.

 

A menina cresceu forte,

E de perna tão durinha,

Que ainda um ano não tinha

E já andava sozinha!

Pra todos em “Semallê

Um prodígio de bebê.

 

Seu pai comprou um balanço

E montou-o no jardim.

Teresinha, quando o viu:

- Aquilo ali é pra mim?

Vou balançar sem parar,

Dia inteiro, até cansar.

 

Inteligente ao extremo,

Encantadora e formosa,

Mas, para as suas irmãs,

Muito firme e mui teimosa ...

E mesmo às de mais idade

Impunha a sua vontade.

 
 

Paulina não lhe dá trégua,

Quer saber tudo o que faz:

- Teresinha, onde andas? ...

Que fazes aí atrás?

- Estou brincando de freira ....

Quero ser sempre a primeira.

 

No sonho de Teresinha

Paulina põe água fria:

- Não sabes que no Convento

É silêncio noite e dia?

Nem penses que vais pra lá

Fazer o que fazes cá.

 

Teresinha pensou muito,

Antes de lhe responder:

- Eu sei que não vou mandar ...

Mais prefiro obedecer,

Mas, se lá ninguém diz nada,

Como vou rezar calada?

 

 

INTRODUÇÃO


Introdução
à história de uma alma

 

Oh gente boa da terra,

Que as coisas lindas amais,

Se vossa atenção mereço,

Contar-vos-ei muito mais.

 

Vinde todos pra bem perto,

Juntai vossos corações;

Ouvireis a linda história,

Toda cheia de emoções.

 

Lá na família Martin,

Coração da Normandia,

No presépio de Alençon,

Era um anjo que nascia.

 

Última de dez irmãs,

Do casal Zélia e Luiz,

Relojoeiro e rendeira,

Qual dos dois o mais feliz?

 

-“Teresinha é seu nome”,

Diz o pai... e o Céu concorda;

- E... “do Menino Jesus”,

Diz a mãe, enquanto borda.

 

11

Isto é somente o começo

Do muito que eu vou contar

Duma jovem pura e bela,

Mais doce do que o luar!

 

Fechem a porta dos olhos ...

Respirem forte, com calma.

Pois agora vou contar-lhes

“A história de uma alma”.